Sou jornalista paulista, especializada em Educação Ambiental e daquelas pessoas que mergulha fundo nas paixões. Após engravidar em 2006 e vivenciar a fantástica experiência de um parto domiciliar, busquei novos caminhos.
Com duas companheiras, em 2007, comecei com o Mamíferas que em pouco tempo se tornou referência para pessoas que buscam informações sobre uma maternidade alternativa.
Comecei a atuar como ativista em uma ONG que ajuda na disseminação de informações sobre Parto Natural e Maternidade Ativa em Belo Horizonte. Hoje faço parte do Ishtar com a proposta de empoderamento da mulher.
Depois de oferecer apoio a muitas mulheres em palestras e atendimento informal, senti que poderia atuar de maneira mais direta com as gestantes.
Em Maio de 2010 fiz o curso de formação de Doula oferecido pelo GAMA. Desde então venho atendendo a vários partos.
A fotografia nasceu em paralelo, em 2007, com o nascimento do meu filho. Registrar seu crescimento em cenas fantásticas me fez ver a vida com outros olhos. As boas fotos atrairam amigos e conhecidos. E hoje é uma atividade que me dá muito prazer e tem rendido lindas imagens.
Fotografia e Maternidade deram as mãos. Como doula, ofereço um trabalho adicional de fotógrafa. Como fotógrafa de mães e crianças, ofereço minha experiência como doula. E assim nasce um novo trabalho, fruto de uma nova paixão inspiradora.
Diante do atual modelo obstétrico, mulheres que desejam ter um parto respeitoso para si e seus bebês podem contar com a figura da Doula. Esse nome grego, tão antigo quanto esse povo, significa aquela que serve.
A Doula é uma mulher que conhece o sistema obstétrico e ajuda a mulher a construir a possibilidade de seu parto. Ela não é uma parteira, ela não faz exame de toque ou dá qualquer diagnóstico. É a pessoa que segura nas mãos, que massageia as costas durante a contração, que cuida do ambiente para manter o mais harmônico possível para a parturiente. Procura negociar com a equipe formas de possibilitar que os desejos da mulher sejam atendidos
Antes do Parto, a Doula ajuda tirando dúvidas, desfazendo mitos, oferecendo o suporte físico e emocional para a gestante.
Pacotes de Serviços:
Doulagem Simples - Inclui uma visita antes do parto + escalda pés + acompanhamento durante trabalho de parto e 2 horas depois do parto. Suporte 24hrs por telefone e internet em horario comercial. R$ 500,00. Metade do valor no primeiro encontro e o restante após o parto.
Doulagem Simples com Foto - Inclui os serviços listados acima + foto do escalda pés e trabalho de parto e nascimento. R$ 700,00
Completo - Inclui os serviços acima + Ensaio da Gestante (marido e filhos - se tiver) + ediçao de vídeo com as melhores fotos e video do nascimento. R$ 1000,00.
Ensaio antes o parto: 300,00
Registro do nasceimento: 500,00
* Para partos em outras cidades de Minas Gerais, os custos de ida e volta são cobrados a parte.
Fotografar gestantes é registrar a vida em sua plenitude.
A vida que gera a vida que cresce. O corpo que se arredonda, os hormônios que transbordam. A beleza da vida e do feminino.
Nome: Kalu Brum
Cidade: Belo Horizonte e região
Telefone: (031) 3541 8653// 8749 2500
Facebook: Kalu Brum
Skype: Kalu Gonçalves
MSN: kalukaluzinha_hotmail.com
Site: http://www.mamiferas.com/blog
email: kalubrum_gmail.com
Videos de nascimentos feitos de maneira não profissinal, mas com todo carinho do mundo
O Plano de Parto é uma carta, ou uma simples lista onde você relaciona tudo o que gostaria ou não gostaria que acontecesse em seu parto. Mais que um documento, é uma forma de você entrar em contato com os procedimentos normalmente relacionados com o parto e nascimento, atentando para o diálogo prévio com a equipe que irá te assistir. Imprima e peça para tod profissional que estiver envolvio que possa ler.
Veja aqui um exemplo de plano de parto de um casal que optou por um parto hospitalar*:
"Estamos cientes de que o parto pode tomar diferentes rumos. Abaixo listamos nossas preferências em relação ao parto e nascimento do nosso filho, caso tudo transcorra bem. Sempre que os planos não puderem ser seguidos, gostaríamos de ser previamente avisados e consultados a respeito das alternativas.
Trabalho de parto:
- presença de meu marido e doula.
- sem tricotomia (raspagem dos pelos pubianos) e enema (lavagem intestinal).
- sem perfusão contínua de soro e ou ocitocina (soro)
- liberdade para beber água e sucos enquanto seja tolerado.
- liberdade para caminhar e escolher a posição que quero ficar.
- liberdade para o uso ilimitado da banheira e/ou chuveiro.
- monitoramento fetal: apenas se for essencial, e não contínuo.
- analgesia: peço que não seja oferecido anestésicos ou analgésicos. Eu pedirei quando achar necessário.
- sem rompimento artificial de bolsa
Parto:
- prefiro ficar de cócoras ou semi-sentada (costas apoiadas).
- prefiro fazer força só durante as contrações, quando eu sentir vontade, em
vez de ser guiada. Gostaria de um ambiente especialmente calmo nesta hora.
- não vou tolerar que minha barriga seja empurrada para baixo.
- episiotomia: só se for realmente necessário. Não gostaria que fosse uma
intervenção de rotina.
- gostaria que as luzes fossem apagadas (penumbra) e o ar condicionado
desligado na hora do nascimento. Gostaria que meu bebe nascesse em
ambiente calmo e silencioso.
- gostaria de ter meu bebe colocado imediatamente no meu colo após o parto
com liberdade para amamentar.
- gostaria que o pai cortasse o cordão após o mesmo ter parado de pulsar.
Após o parto:
- aguardar a expulsão espontânea da placenta, sem manobras, tração ou
massagens. Se possível ter auxílio da amamentação.
- ter o bebê comigo o tempo todo enquanto eu estiver na sala de parto, mesmo
para exames e avaliação.
- liberação para o apartamento o quanto antes com o bebê junto comigo. Quero
estar ao seu lado nas primeiras horas de vida.
- alta hospitalar o quanto antes.
Cuidados com o bebê:
- administração de nitrato de prata ou antibióticos oftálmicos apenas se
necessário e somente após o contato comigo nas primeiras horas de vida.
- administração de vitamina K oral (nos comprometemos em dar continuidade
nas doses).
- quero fazer a amamentação sob livre demanda.
- em hipótese alguma, oferecer água glicosada, bicos ou qualquer outra coisa ao bebê.
- alojamento conjunto o tempo todo. Pedirei para levar o bebê caso esteja muito cansada ou necessite de ajuda.
- gostaria de dar o banho no meu bebê e fazer as trocas (ou eu ou meu marido).
Caso a cesárea seja necessária:
- exijo o início do trabalho de parto antes de se resolver pela cesárea.
- quero a presença da doula e de marido na sala de parto.
- anestesia: peridural, sem sedação em momento algum.
- na hora do nascimento gostaria que o campo fosse abaixado para que eu possa vê-lo nascer.
- gostaria que as luzes e ruídos fossem reduzidas e o ar condicionado desligado.
- após o nascimento, gostaria que colocassem o bebê sobre meu peito e que
minhas mãos estejam livres para segura-lo.
- gostaria de permanecer com o bebe no contato pele a pele enquanto estiver na sala de cirurgia sendo costurada.
- também gostaria de amamentar o bebê e ter alojamento conjunto o quanto antes.
Agradeço muito a equipe envolvida e a ajuda para tornar esse momento especial e tão importante para nós em um momento também feliz e tranqüilo como deve ser.
Muito obrigada,
Local e data,
Assinatura dos pais
Assinatura do médico obstetra
assinatura do pediatra
*Texto inspirado no livro "Parto Normal ou Cesárea - tudo o que as mulheres deveriam saber." , escrito por Ana Cristina Duarte e Simone Diniz, editora Unesp
Por Nanda Café
Bta HCG (bhCG): É o hormônio que indica a gravidez. Aquele teste do xixi no palitinho mede esse hormônio na urina: se ele está lá em quantidade grande significa positivo. Mas esse teste, assim como aquele de sangue que você fez na emergência só para ter certeza, é um teste qualitativo, só para saber se tem ou não bhCG. O teste quantiativo mede a quantidade exata do hormônio no sangue, que varia de acordo com a idade gestacional.
Cálculos: Aprendemos, desde pequenos, que uma gravidez humana dura 9 meses. Quando ficamos grávidas, desaprendemos isso, pois uma gestação normal pode durar até 42 semanas (mais do que isso, só com monitoração frequente). Vamos lá: 1 mês tem 4 semanas em média, 42 semanas seriam 10 meses e meio! Mas como isso é possível? Assim, ó…
D.U.M (Data da última menstruação): É usada para calcular a idade gestacional da seguinte forma: uma mulher ovula, em média, 15 dias após o início da menstruação. O óvulo está viável, em média, por 2 dias, então dá para saber com quase exatidão a data em que o óvulo foi fecundado. Esse cálculo tem uma margem de erro relativamente grande, pois a mulher pode ter uma ovulação adiantada ou tardia. Então não use a DUM para agendar a cesárea, gatinha! Seu bebê pode ser até uma semana a menos do que você acha que ele tem… Uma mulher grávida de 38 semanas tem um bebê de 36 semanas dentro dela. Teoricamente, um bebê de 36 semanas já está pronto, mas ainda não tem maturidade pulmonar – por isso os bebês forçadamente nascidos às 38 semanas de gravidez costumam ter problemas respiratórios.
D.P.P. (Data Provável do Parto): O provável está aí por um motivo. Quando se mede a idade gestacional através da DUM, a DPP é fornecida calculando-se as 40 semanas de gestação consideradas normais. Então, um bebê nascido na ou próximo à DPP teria 38 semanas, que é considerado totalmente maduro. Mas totalmente maduro mesmo ele só estará se nascer sozinho, não adianta arrancá-lo quando ele provavelmente estaria.
U.S.: Ultra-som, ultrassom, ultrassonografia, ecografia. São realizadas de praxe 5 U.S. em uma gestação de baixo-risco (idade gestacional, Translucência Nucal, Morfológica, 32 semanas e 38 semanas), mas esse número poderia facilmente ser reduzido para 2 na minha humilde opinião: idade gestacional (e quantos fetos estão ali, né Tata?) no início da gravidez (não antes de 8 semanas, pois pode ser difícil ouvir o coração antes disso, causando preocupações desnecessárias), e morfológica.
Translucência Nucal (TN): É a medida de um liquidozinho acumulado na base da nuca do feto. Só pode ser medida entre 11 e 13 semanas de gestação, e uma alteração nessa medida pode indicar algumas síndromes, como Down, que precisam ser confirmadas com exames posteriores como a amniocentese. Mais sobre isso em breve lá no site.
Morfológica: A medida da TN é considerada a morfológica do primeiro trimestre, mas essa terminologia é mais utilizada para a U.S. realizada entre 18 e 24 semanas. Nesse exame normalmente descobre-se o sexo, caso esse seja o desejo dos pais. Nele também descobrem-se a maioria das alterações fisiológicas, pois os órgãos do feto já estão quase todos desenvolvidos.
Líquido Amniótico (I.L.A.): Meio no qual o feto fica suspenso durante a gestação. É ele que o feto ingere quando já possui boca e movimentos de sucção, e ele que é eliminado. É, o bebê ingere seu próprio xixi e cocô. Mas o líquido amniótico é estéril, assim como o xixi e o cocô do bebê também são – lá dentro. O líquido e o feto ficam contidos numa bolsa ligada à placenta pelo cordão umbilical. É a água que sai das mulheres nos filmes quando a bolsa rompe. Algumas mulheres apresentam I.L.A. baixo ao longo da gestação, que normalmente pode ser controlado com a ingestão de líquidos. Não se assuste se o seu I.L.A. diminuir ao final da gestação: é preciso que alguma coisa ceda espaço para o bebê crescer ali dentro.
Circular de cordão (bebê laçado, cordão enrolado, etc.): Ocorre quando os movimentos do feto dentro da barriga fazem com que o cordão umbilical enrosque-se em alguma parte do corpo. Uma circular de cordão nem sempre é ao redor do pescoço, e mesmo que seja, não irá matar seu bebê asfixiado: ele nem respira! Da mesma forma que ele se enroscou, ele pode se desenroscar – e provavelmente irá, até mesmo durante o parto. Circular de cordão é o maior conto da carochinha para o agendamento de cesáreas, pois são pouquíssimos os casos nos quais a circular irá causar um problema maior – caso o cordão seja curto, o que só pode ser verificado durante o parto – ou que exista um nó verdadeiro no cordão, que irá afetar o transporte de oxigênio para o bebê e irá causar alteração nos índices. Em todo caso, isso só pode ser verificado na hora do parto.
Primigesta: Refere-se à mulher em sua primeira gestação.
Primípara: Refere-se à mulher em seu primeiro parto. Notem que primigesta e primípara não são sinônimos, pois a mulher pode ter tido uma cesárea previamente, e o presente ser seu primeiro parto.
Parto e cesariana
Parto normal (parto vaginal): Aquele no qual a mulher dá à luz pela via vaginal. O parto normal pode ser natural, frank, ativo ou um meio-termo entre tudo isso. Quando se fala em parto normal, é a xoxota que importa.
Parto natural: Aquele no qual não há nenhuma intervenção – anestesia, episiotomia, etc. Uma mulher que dê à luz no ponto de ônibus tem um parto natural, mesmo que não tenha sido essa sua opção, portanto ele nem sempre é ativo.
Parto frank: Aquele que é comumente visto nos hospitais brasileiros – com todas as intervenções possíveis, no qual a mulher é desrespeitada e ignorada. Normalmente há o comboanestesia+episiotomia, e o termo “mãezinha” é repetido à exaustão. Expressões como “na hora de fazer não gritou” e “faz força!” também costumam aparecer.
Parto ativo: Aquele no qual a mulher tem o controle da situação. Ela escolhe a posição e o lugar, tem liberdade de movimentação, respeita o próprio corpo e trabalha junto com o trabalho de parto. O parto ativo só permite formas naturais de analgesia, pois a aplicação de uma peridural ou similar iria restringir a movimentação, além de impedir que a mulher escolhesse a posição, portanto um parto ativo é necessariamente um parto natural. É também o nome usado para uma das fases do trabalho de parto.
Cesariana (cesárea, parto cirúrgico*, parto abdominal*): Aquele no qual o feto é retirado através de meio cirúrgico. Sete camadas de pele (incluindo o útero) são cortadas, a bolsa é rompida e o bebê é retirado com puxões. Alguma coisa é cauterizada, pois eu me lembro do cheiro de carne queimada. As entranhas são limpas e secas com gaze, para retirar o sangue que seria eliminado com a placenta e o bebê. Tudo é costurado, mas a sensação é de que tudo continua aberto, incluindo a alma. Como é uma cirurgia abdominal, há a entrada de gases e bactérias, portanto justo no início da amamentação, seu corpo estará cheio de remédios que podem ou não passar para o leite. E nem vou começar a falar sobre a dificuldade que é defecar com a sensação de que os pontos irão abrir-se, pois esse é um dicionário totalmente imparcial.
* os nomes parto cirúrgico e abdominal são termos médicos. Afinal, sabemos que Cesárea não é parto.
V.B.A.C.: Vaginal Birth After a C-Section, ou Parto Vaginal após Cesárea. Qualquer número que apareça nessa sigla (VBA2C, VBA3C) refere-se à quantidade de cirurgias realizadas antes do parto vaginal. Não é crime, e prova que a cesárea prévia não é fator impeditivo para um parto normal. O risco de ruptura uterina durante o parto permanece baixo mesmo com uma cesárea prévia, aumenta um pouco com 2 e aumenta mais com 3. Os médicos indicam até 3 partos cirúrgicos, depois disso corre-se o risco de histerectomia total (perda do útero) por causa de ruptura, afinal, quantas cicatrizes! Mas nós conhecemos mulheres que pariram após 3 cesáras, então você pode ter 4 filhos e 3 cesáreas: basta parir!
Analgesia (Anestesia): É o alívio da dor. Pode ser através de métodos farmacológicos, como a aplicação de uma peridural ou raquidiana – que exige que a mulher fique presa a um soro; ou pode ser feita através de métodos naturais, como a imersão em água quente para o alívio da dor ou massagens. Acupressão, reiki, acupuntura, moxabustão e etc. são outros métodos naturais, mas somente podem ser aplicados por pessoas treinadas – geralmente as doulas tem um ou mais talentos escondidos na manga.
Episiotomia: É o corte do períneo (a “terra de ninguém” entre a vagina e o ânus) pelo médico para facilitar a passagem do bebê. Apesar de ser procedimento de rotina nos hospitais, normalmente não é necessária. A mulher pode preparar o períneo durante a gravidez com massagens e exercícios de kegel, e alguém da equipe (olha a doula aí novamente) pode amparar o períneo durante a fase expulsiva do parto.
Laceração perineal: A episiotomia é uma laceração perineal de 3º grau, pois atinge várias camadas de tecido e músculo. Durante o parto, podem ocorrer lacerações de 1º, 2º e 3º grau. Caso a mulher tenha se preparado, a tendência é de não haver lacerações, ou apenas lacerações de 1º grau que geralmente não requerem sutura (pontos). As lacerações de 2º e 3º grau requerem sutura, mas podem ser evitadas com as medidas citadas no termo episiotomia, e também com a liberdade de escolha de posição da mulher. Deitada, ela provavelmente sofrerá uma laceração maior pois a gravidade não está trabalhando a seu favor, por isso os médicos preferem fazer logo a episiotomia, já que suas parturientes não têm liberdade de movimento.
Trabalho de parto (TP): Corrijam-me se eu estiver errada, mas acredito ser dividido entre Latente, Ativo, e Expulsivo, os nomes sendo praticamente auto-explicativos. A fase latente é quando as contrações ainda estão espaçadas e são de curta duração, e também é conhecida como pré-trabalho-de-parto. Nela, geralmente, há a expulsão do tampão mucoso e pode ou não haver o rompimento da bolsa d’água. A fase ativa é aquela na qual as contrações já estão ritmadas e com duração maior, a dilatação avança e a mulher entra na tal Partolândia (que um dia hei de conhecer!). A fase expulsiva é, bem, quando a dilatação está completa e o bebê está pronto para sair. Acredito que ela tenha esse nome simplesmente porque a mulher sabe que está na hora de expulsar o bebê, portanto aqueles gritos de “Força! Empurra!” são necessários apenas para quem fez analgesia medicinal e não está sentindo nada lá embaixo. Na fase expulsiva também há a eliminação da placenta, que pode ocorrer até 40 minutos após a saída do bebê (a sucção dos seios ajuda na expulsão da placenta, então põe esse bebê no peito!)
Escrito por Kalu Brum para Mamiferas
Era um mundo silencioso. Já reconheço a voz doce da minha mãe, a grave voz do meu pai e algumas pessoas que sempre estão por perto. Aqui o mundo é constante. Não sinto frio, ou fome. Desconheço a sede, o ritmo, a gravidade.
Os ruídos são constantes: o pulsar das veias, as batidas do coração, o ruidoso estômago. Já sabem que posso detectar a luz ou ausência total dela.
Sinto medo, tenho pesadelos, tenho soluço. Gosto da sensação de quando minha mãe come chocolate.
Aproximo-me da nona lua. Estou pronto para nascer. Não sei o que significa isso, mas minha natureza deu o início do trabalho de parto. Aqui estava ficando apertado.
Talvez o braço da minha mãe seja igualmente confortável. Recebo um abraço leve, outro um pouco mais apertado. Em meu corpo posso sentir os hormônios de êxtase. Entro no ritmo da vida em uma dança minha e dela. É gostoso sentir essa massagem no meu corpo, este braço apertado que me aperta com força em despedida me lançando ao mundo. Esse estreito lugar comprime meu peito, lança o líquido dos meus pulmões para fora.
Aqui fora tudo é estranho. Que frio! Mas este corpo quente me aquece. Ouço sua voz. É ela. Nos conhecemos finalmente. Ainda somos um. Eu ligado a ela pelo cordão que me nutriu. O ritmo continua natural. O cordão pulsa e quando cessa me desligo sem desgrudar.
É estranho respirar, difícil. Cofff, atchim. O ar entra amigo. Estou seguro, estou sobre ela. Que cheiro bom ela tem. E seu coração ainda posso ouvir ao longe. Isso me dá paz.
Estou com fome. Que delícia este peito! Cheiro, lambo, mamo. Aqui fora é bom. Suave. Não sinto frio porque tenho seu corpo. Nem medo porque ouço sua voz. Foi uma longa jornada e por fim estou no mundo, ainda absolutamente dependente de ti.
Quero dormir porque confio no mundo externo e suave que você me proporcionou.
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Ouço barulhos estranhos. Ela está com medo. O que isso que sinto? Estou ficando sonolento. Sinto uma queda. Estou do lado de fora. Como cheguei aqui? Vejo luzes que me cegam. Onde está o coração? O calor? Aqui dentro está frio, muito frio. Desliguem este vento.
Estou afogando. Meu Deus?! Choro com força. Me salvem! Mãe, cadê você? Não sei falar sua língua. Estou com medo! Pelo menos um ambiente quente. Mas é duro. Por que ferem minha pele esfregando este pano?
Sinto um cano a me violar as narinas. O que fiz para merecer tanta dor? Este cano dentro de mim. Cadê minha mãe? Chego bem perto mas me levampara longe. Quero minha mãe! Por favor!
Esta balança fria o que é? Por que estão a me medir? Eu só quero um colo e peito. Choro sem parar. Estou exausto. Sei que me olham através do vidro. Pai! Vó! Me tirem daqui! Por que ninguém me ouve?
O que vão pingar nos meus olhos? Nitrato de prata? Mas eu nasci por cima. Como posso ter uma cegueira causada por gonorréia? Ela não tem gonorréia! Isso arde, arde muito. O que fiz para ser tratado assim? Choro com vigor. Estou em pânico.
Pelo menos um carinho na minha perna. Por que aperta? Ai que dor! Uma agulhada! Mais choro. É a vitamina K, medicação usada para prevenir um distúrbio de coagulação. Não te contaram que tem a versão oral? Não te falaram que é só não me banhar e deixar eu mamar? Eu não sei falar, mas de tudo sei. Tudo isso é dor. Será sempre assim?
Estou exausto. Vou dormir. Quem sabe acordo do pesadelo?
Espere, por que me acordam? Ah não! Por que tiram minha roupa? Estou com frio. O que é esse liquido? E essa espuma? Eu preciso da proteção da minha pele que retiram. Quem faz tudo isso? Cadê minha mãe? Será que ela é quem faz isso tudo?
Estou pronto para conhecê-la. Quem é ela mesmo? A pediatra? A enfermeira? Ela também não me reconhece. Não me abraçou com as entranhas, nem ao menos me viu nascer através dos panos. Tenho cheiro de sabão e ela de medicamentos.
Estou sonolento, sofri demais, recebi anestesia nas veias, colírio nos olhos, injeção na perna. Ela me mostra os seios. É difícil para mim, é difícil para ela que geme de dor também. Ela foi vítima como eu, da ignorância do sistema. Mas através dos seus seios, ainda há esperança.
Não vou nascer novamente, vou curar minhas feridas no mundo. Mas se eu pudesse escolher optaria pela primeira parte deste conto. Se você acha que não é verdade tamanho sofrimento lembre-se que 40% das crianças da rede pública nascem assim como eu. Passam o que passei. E no particular, quase 80%. Quero nascer diferente e só você que me gesta pode optar.
Não se deixe enganar. Não me deixe sofrer. Este vídeo, este e este tem cenas fortes de partos assim como o meu. O seu pode ser diferente. E eu, que ainda estou em você, posso chegar com doçura e gentileza. Pense nisso. Mude o meu plano de parto enquanto pode. E saiba o que realmente acontece para escolher uma realidade gentil. Nascer pode não mais rimar com sofrer. Pode ser sinônimo de sorrir.
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